quarta-feira, 19 de novembro de 2008

MANUELA FERREIRA LEITE E JOSÉ SÓCRATES - ENTRE A TEORIA DA PRÁTICA E A PRÁTICA DA TEORIA!!!

Hoje, um ror de gente insurgiu-se contra a verdadeira aberração que está contida nas palavras proferidas por Manuela Ferreira Leite, quando afirmou «Eu não acredito em reformas quando se está em democracia, quando não se está em democracia, é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se; e até não sei, se a certa altura, não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então, venha a democracia».
Esta é uma afirmação perfeitamente alucinada e alucinante, que prova a falência da responsável máxima do PSD e evidencia a sua incapacidade para dirigir o maior partido da oposição.
Mas não deixa de ser curioso o incómodo que emergiu desta opinião, considerando Alberto Martins que as palavras de Manuela Ferreira Leite «são anti-democráticas, reveladoras de uma cultura autoritária e de ausência de cultura cívica», manifestando, ainda, o presidente do grupo parlamentar socialista o «repúdio veemente» do PS, acrescentando que «a democracia não pode ter intervalos de seis meses. O contrário da democracia é a ditadura - e só quem não sabe o que foi a ditadura pode admitir intervalos lúcidos para a democracia».
– Por seu turno, Bernardino Soares do PCP manifesta que as declarações da líder do PSD foram «despropositadas e inadequadas», sobretudo «num momento em que são postos em causa e atacados direitos, liberdades e garantias fundamentais» e Paulo Portas limita-se em crer que ela se referia à «situação da justiça», afirmando que está ao alcance da M.F.Leite «suspender o pacto de justiça que o PS e o PSD assinaram e que significou mais insegurança, mais crime e leis que não são dissuasoras da criminalidade».
O Bloco de Esquerda não fez (ainda) qualquer comentário, considerando no entanto que estas foram despropositadas.
Luís Filipe Menezes entendeu que a ideia de «suspender a democracia por seis meses é profundamente bizarra», rematando que «Tanta asneira, tanta gafe, tanta insensatez e tanta falta de propostas concretas para mobilizar os portugueses mostram que esta direcção do PSD não tem quaisquer condições para mobilizar o partido para uma vitória eleitoral» pelo facto de o «país precisar de uma alternativa» e de «o PS estar tão desgastado».
Perante esta multiplicidade de opiniões e outras mais que, seguramente, irão surgir por aí no mercado das palavras e sem, como já manifestei no início, estar de acordo com Manuela Ferreira Leite, não poderei deixar de opinar o seguinte:
Conhecendo nós qual vem sendo a prática de José Sócrates e do seu Governo em matéria de dialogo, que tão necessário se tem mostrado para a solução dos diversos e graves problemas que nos afectam nos mais diversos sectores. - Sentindo nós o efeitos das suas politicas económicas e sociais por ter sempre governando à direita, pervertendo a maioria das suas promessas eleitorais. – Verificando nós como tratou os casos OTA/Alcochete e a saúde, no tempo de Correia de Campos (onde só o ministro mudou e se matem a mesma politica) – Tendo presente a prepotência manifestada no campo da educação, comprando uma guerra desnecessária com os professores e alunos do ensino médio, constrangimentos com as universidades e problemas com os juízes. – Sócrates enfrenta já vozes dissonantes no próprio Partido Socialista. - E não é só a de Manuel Alegre; é também as de António Vitorino, António José Seguro e outros.
Nós assistimos à subserviência de Vitalino Canas e de Pedro Silva Pereira (e há outros, possivelmente muitos outros) que criticam a cassete que os militantes do PCP, debitam, e agora, também eles, se guiam pelo mesmo diapasão. Chego a ficar nauseado.
Mas pode-se falar da irredutibilidade do Ministro da Justiça, António Costa, em rever os Códigos do Processo Penal e Penal que há muito são contestados, sem resultado. A não ser os da diminuição da justiça e, por ela, o acréscimo a criminalidade.
Da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, da forma como tem conduzido todo o processo de avaliação, desprezando as duas maiores manifestações que se fizeram depois do 25 de Abril, como se todos os que nelas participaram estivessem manipulados. E porque será que a Ministra não gosta dos sindicatos?
Do Ministro Mariano Gago, relativamente às Universidades e ao seu apoio financeiro, pretendendo que estas se transformem em fundações, daí um passo à privatização. Referindo ainda a maneira desresponsabilizada com tratou o Caso da Moderna relativamente aos alunos, deixando estes entregues à sua sorte, encerrando a universidade quando as actividades já tinham começado em todas as faculdades, dificultando a muitos a sua inscrição e a outros a inviabilização de o fazer e de terem de parar.
E muitos outros exemplos poderiam ser apontados de práticas de duvidosa democraticidade praticadas por este Governo.
E o que dizer do próprio José Sócrates, do quanto mentiu a este país, da sua arrogância, dos seus sorrisos de troça, da maneira inquietante como na Assembleia da República responde aos seus opositores com um maniqueísmo intolerável? E tudo isto é dignificante e próprio da vivência democrática, que vemos com frequência no hemiciclo?. É isto que os nossos jovens devem assimilar como prática democrática?


Pois é. Reconheço que Manuela Ferreira Leite não devia ter dito o que disse e por isso foi alvo da notícia; teorizou sem praticar. Sócrates, que até não liga a teorias, está-se nas tintas para elas e prefere a prática. Só que já passaram mais de seis meses!!!

2 comentários:

Nica Villa Real disse...

Custa-me acreditar que alguém em sã consciência proponha tal retrocesso. Manuela Ferreira Leite representa, com sua afirmação, o passado, o governar com mãos de ferro, o aprisionar o povo. E passa assim um recibo de seu despreparo político e pobre poder argumentativo. Que não seja esquecido.

alexandre disse...

Joaquim, sem sombra de dúvidas, uma "verdadeira aberração"!Se essa moda do "eu posso, eu mando, eu faço" pegar, Portugal entrará retrocesso sem precedentes. É inadmissível que nos tempos de hoje (lembrem-se de Salazar), existam pessoas que ainda queiram subjugar o povo. Não há retratação possível para o que foi dito. A ordem se estabelece com bons governantes e não com democracia disfarçada.