terça-feira, 26 de agosto de 2008

A VIOLÊNCIA ACORDA E O ESTADO DORME

É minha intenção não voltar a falar de violência nos tempos mais próximos. Isto porque entendo que todos nos encontramos já bastante causticados com as notícias difundidas por todos os órgãos de comunicação social, pelas críticas feitas pelo senhor Procurador Geral da Republica, magistrados e diversos organismos sindicais das policias, suscitadas pelas incongruência da introdução de diversas alterações legislativas e que se tornaram no pão-nosso de cada dia.
Salvaguardo uma antecipação segura, que seria a de algum dos proeminentes cérebros que nos (des) governam ser, muito eventualmente, alvo desta violência. E não o faria, com toda a verdade, por regozijo, mesmo confessando que não nutro nenhuma simpatia por nenhum deles. Fá-lo-ia pela novidade que representaria, ou seja, a de colherem tempestades pelos ventos que tão bem têm semeado.
É verdade que um acontecimento desta natureza é mais improvável do que algum de nós ser premiado no euromilhões, porque bem sabemos que estão super protegidos, mas não é menos verdade que a violência a que temos vindo assistir em crescendo, emerge da passividade e inoperância de quem tem por direito proteger-nos.
E não chega que o sr. Ministro da Administração Interna venha calmamente a publico dizer que o problema é bastante delicado e que é um mal transfronteiriço, como desculpa da sua incapacidade em conter ou diminuir esta explosão de criminalidade, que atingiu índices jamais registados em Portugal.
Todos sabemos, e não é necessário que ele no-lo diga, que o crime está cada vez mais organizado, transcontinental e tendencialmente crescente, porque não deve um governo e o seu ministro da tutela, deterem-se simplesmente na análise sem que, de imediato, implementem as medidas adequadas e enérgicas que visem pôr-lhe cobro.
Se é missão das policias reprimir a criminalidade e deter os delinquentes; se é função dos tribunais julgar exemplarmente os delitos e aplicar penas em consonância com a gravidade dos mesmos, é fundamental obrigação do governo não deixar uns e outros de mão atadas, legislando com rigor e realismo, no sentido de que a ambos seja possível o cumprimento cabal das suas competências, presentemente limitadas com as alterações introduzidas aos códigos do Processo Penal e Penal, que entraram em vigor em 15 de Setembro de 2007.
Eu sei que o tema é controverso e que o legislador se escuda sempre nos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. E deve tê-lo em atenção, como garante do estrito cumprimento constitucional mas ela também prescreve, no seu artigo 272, que “todos os cidadãos têm direito à liberdade e à segurança” e que a “vida humana é inviolável”, no seu artigo 24º.
A verdade nua e crua, é que a manutenção da liberdade de uns quantos, bastas as vezes duvidosa, não pode nem deve implicar com a tranquilidade e segurança da maioria. Muito menos, quando este governo, por razões economicistas, alivia as cadeias de mais de um terço dos reclusos, só porque estes custam qualquer coisa como € 50,00 diários. E quanto vale uma vida humana, uma só que seja, que tombe às mãos de criminosos? E quem se deverá responsabilizar? É que começa a ser caricato e preocupante que muitos dos arguidos postos em liberdade, reincidam de imediato.
Estão perfeitamente fundamentados o desassossego e o terror dos cidadãos perante esta vaga de criminalidade, por más sentenças, abandono de provas substanciais, por carências formais, falhas processuais, caducidades e prescrições. Hoje, quem tem liberdade de circulação por toda a parte são os criminosos; velhos, crianças e demais cidadãos comuns não se afoitam a sair à rua e menos passear em muitas zonas das terras onde vivem, receosos de serem assaltados, roubados, agredidos ou mesmo mortos.
Estamos fartos de ser vitimados e cada vez mais indignados e revoltados!

6 comentários:

Josue.liliana@gmail.com disse...

Olá Joaquim.

Só título do teu artigo é extremamente sugestivo.

A VIOLÊNCIA ACORDA sobre nós
Numa atitude mordaz e de ofensa
Atira as garras de animal feroz
E O ESTADO DORME na sua indiferença.

Com um beijinho de muita solidariedade.

Liliana Josué

Nica disse...

"Uma desculpa é pior e mais terrível que uma mentira, pois uma desculpa é uma mentira precavida."

Quando o Estado, que deveria zelar pelo bem comum, fecha os olhos diante de tanta violência e apenas teoriza soluções, banaliza a criminalidade e degrada a sociedade num todo.

мαh viℓℓα яєαl disse...

realmente, concordo contigo em todos os pontos, e justamente por haverem tantos criminosos à solta é que há poucas cadeias e muitas grades nas janelas e pátios de nossas casas. os detentos somos nós, e não os criminosos.

Anónimo disse...

Meu amigo, está cá quase tudo...
a minha opinião, tu já sabes e o ditado popular diz que os bois se devem chamar pelos nomes,
isto é:
-Primeiro Ministro……JOSÉ SOCRATES.
-Ministro de Estado e da
-Administração Interna RUI PEREIRA.
-Secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna
José Magalhães.
-Secretário de Estado da Administração Interna.Rui Sá Gomes.
-Ministro da Justiça ALBERTO COSTA.
-Secretário de Estado Adjunto da Justiça.......José Conde Rodrigues.
-Secretário de Estado da Justiça........João Tiago Silveira.
-Ministro de Estado e das Finanças…FERNANDO TEIXEIRA DOS SANTOS.
-Secretário de Estado Adjunto e do Orçamento...Emanuel Augusto Santos.
-Secretário de Estado do Tesouro e das Finanças.....Carlos Costa Pina.
Estes são alguns os nomes dos cidadãos deste País, que neste momento são responsáveis pela, planificação, organização e intervenção em áreas muito delicadas da governação de Portugal. (todas as áreas são delicadas, como é obvio, só o dia a dia define o grau de delicadeza.)
Não é vergonha ser ignorante, mas é vergonha ser estúpido, (mesmo com falta de dinheiro), é vergonha ser incompetente e esta é a minha apreciação politica, Quando não se é marinheiro não se vai trabalhar para um barco!
Merecemos melhor retorno por aquilo que lhes pagamos... ( o que até poderia ser uma questão menor )
Merecíamos melhor retorno pela confiança que neles depositámos... muita ou pouca! (foi a maioria de nós)
Que falta de humildade, que vergonha!!!
DEMOCRACIA ISTO??? (que até devia ter como coluna vertebral o Programa do Partido Socialista )
Dizia o Zeca Afonso: “ACORDAI!” e agora digo eu; PORRA.
(os nomes e os cargos governamentais foram retirados do portal do governo)

Um abraço do Fernando A, A, Silva

Maria João disse...

Joaquim
O estado da impunidade a que este país chegou, fruto da bandalheira da classe política que nos governa, está aí bem patente.

carla disse...

realmente a violência preocupa-nos a todos e assobiar para o lado e fazer de conta que não se passa nada não resolve coisa nenhuma.E....português sofre