terça-feira, 30 de setembro de 2008

sábado, 27 de setembro de 2008

Resposta ao comentário - Emigração vs Imigração: - Duas faces da mesma moeda


Diz-me o amigo Vitorino Batalim que «tenho visto de tudo, mas um blog cujo autor censura os comentários, nunca imaginaria» porque, na sua opinião, que eu muito respeito, de duas uma; «ou os comentários são livres ou se bloqueiam de vez». Acredito que já tenha visto de tudo mas, contudo, não acredito que já tenha mesmo visto TUDO.
A publicação directa dos comentários que lhe fazem no seu blog, é um critério que aplica e que é livre de o fazer, mas cujo método não quero seguir no meu. E, contrariamente ao que pretende inferir no seu comentário, pretendo deixar bem claro que não se trata de uma atitude censória da minha parte e que, muito menos, amputo os comentários que me são remetidos ou que, pura e simplesmente nem sequer os publico, se eles colidirem com as minhas ideias. E, como prova disso, o seu comentário está publicado na íntegra. Mas existe uma razão de fundo para ter tomado a minha decisão e que passo a explicar-lhe, independentemente da sua concordância: - se habitualmente dá uma volta pelos blogs e noticias da Sapo, iol e outras, já reparou com certeza quantas vezes, e muitas, os comentários não são feitos em face dos assuntos em questão, o que seria interessante, mas contendo um chorrilho de ordinarices tipo “dizes tu, direi eu”, diria mesmo, descendo a um nível execrável o que, muito sinceramente, e não porque uma questão de puritanismo, não pretendo que ocorra no meu blog, porque quero que este seja visitado por quem o entender, que comentem livremente segundo as suas ideias o que nele se publica, mas que não se deparem com despropósitos que os poderia levar a não ter vontade de repetir. Sim, porque o objectivo que presidiu à sua criação foi o de escrever para gente séria, que vejam no “Falando Claro” um blog de intervenção politica e social, independente de credos políticos, religiosos ou de poderes económicos e que sintam predisposição para debater os assuntos com hombridade. Sobre este assunto estamos esclarecidos.
Agora, entrando propriamente na resposta ao seu comentário e antes de o fazer, gostaria só de lhe fazer umas quantas observações que me parecem pertinentes. Na sua primeira publicação, em Fevereiro de 2008, na apresentação do seu blog, afirma ser seu objectivo «questionar tudo o que nos pareça suspeito para tentar perceber a verdade, denunciar todas as mentiras venham de onde vierem e apoiar todas as verdades» e prossegue; «Prestaremos atenção a todos os assuntos, situações e factos. Louvaremos ou criticaremos, denunciando, com igual ênfase, tudo e todos, conforme o seu merecimento».
É bastante bonito e fica patente essa sua vontade, mas não mais do que isso. Desde a abertura do seu blog em finais de 2007 e até Junho passado, decorridos, que são, dez meses, fez apenas 3 publicações, a saber; (In) justiça, em Março, Figuras Públicas -Vidas Privadas, em Março e Vão beber o nosso Sangue, em Maio o que, para quem quer ser interventivo «para a reposição da Ética nas relações inter-pessoais, inter-grupais, regionais, nacionais e internacionais» e que afirma que «Prestaremos atenção a todos os assuntos, situações e factos», só me pode deixar apreensivo por uma razão tão importante quanto esta: - ou anda de tal maneira distraído que não se apercebeu dos montes de coisas que se vão passando pelo mundo e em particular no nosso país, ou tem gerido mal o seu tempo, atraiçoando as suas boas intenções.
Quero dizer-lhe que reitero tudo quanto escrevi na publicação que fez o favor de comentar, não lhe retirando nem, sequer, uma única virgula e comento abreviadamente, ponto por ponto, todos os seus enfoques:- Não concordo consigo de que não são comparáveis a emigrações/imigrações; procures-lhes os pontos comuns normais, e essa é a lógica, e encontrará muitas semelhanças, mas não deturpe intencionalmente a realidade, porque este “boom” de criminalidade é recente e nós já temos imigrantes e muitos e há vários anos. Lamento que não tenha ido ao âmago da questão que será o estudo sério deste fenómeno e que passa, inevitavelmente, por um amontoado de atitudes que competem ao governo, a alguns ministérios e, por ultimo às policias e aos tribunais. E para por em prática as medidas que dimanassem destes órgãos seria apenas necessário que este país funcionasse, o que não acontece.
Deve ter interpretado muito mal algumas coisas que eu disse, porque não fiz a apologia da imigração sem regras e muitos menos defendi marginais. Só que para mim um marginal é sempre um marginal onde quer que se encontre, sendo-me indiferente a sua língua, país ou etnia porque a maldade não tem cor nem raça.- Está muito mal informado do que se passa neste país quando diz que não há falta de mão-de-obra em Portugal: - ainda esta semana uma associação empresarial do norte, do sector da construção civil, tornou público a escassez de mão-de-obra que começa a afectar as obras daquela região. Já para não lhe falar das culpas das entidades patronais em admitir pessoal não legalizado a um custo ridículo, da complacência do Ministério do Trabalho e dos seus inspectores que não inspeccionam coisa nenhuma e do SEF que não actua com a celeridade necessária: de há muito que preconizo uma maior vigilância nas entradas, com a tomada de conhecimento, através de relações inter-estaduais, do passado judicial de cada um e, a haver antecedentes criminais registados, que estes não sejam intimados a sair do país, como acontece, mas imediatamente colocados no aeroporto, com a confirmação do seu embarque e respectiva devolução ao país de origem.
-Quanto à prostituição de brasileiras e porque não fez parte da minha publicação, terei o maior ensejo de o discutir oportunamente mas não sem antes, lhe realçar uma coisa; - a prostituição é um fenómeno que deve ser abordado com seriedade, como todos os fenómenos sociais, e se atravessar a fronteira aqui da vizinha Espanha, verifique quantas portuguesas estão por lá e, já agora, dê-se conta se os espanhóis não têm o mesmo direito que nós e se também dizem o mesmo.
E poderia também ter aflorado, o que não fez, e que também fica para outra oportunidade, a violência doméstica que tem aumentado exponencialmente em Portugal e que é praticada por portugueses. Dirá, naturalmente, que esses são problemas “cá de casa” e que cá se resolvem. Eu contraponho, dentro da lógica que já evidenciei, de que os problemas são sempre problemas e, por muito que nos doa, há muitos que já não se limitam a ser resolvidos portas adentro. Ponha os olhos no grande exemplo da crise nos Estados Unidos, em que eles dão um “track” e cheiram mal as economias de todo o mundo.
- Quanto à violência que entende que eu deveria comparar em relação aos angolanos, moçambicanos, guineenses ou sul africanos, que é exercida sobre os portugueses que vivem ou trabalham nesses países, quero dizer-lhe que ela também será denunciada no meu blog quando for oportuno apesar de, lá como cá, se tratarem de casos isolados e que não me permitem generalizar que todos os pretos são bandidos. E olhe que conheço África.
- Dou-lhe toda a razão quando diz que «quem não dá não pode pedir e muito menos exigir» mas atente que eu só estou aqui a defender os que DÃO, os imigrantes honestos e trabalhadores que contribuem para o aumento do bolo colectivo, e não nos deve honrar tomar todos pela mesma medida.E para terminar quero esclarecer, ainda, que não falei no meu blog de qualquer referendo realizado em Portugal em relação à nossa permanência na C.E., pelo que nada tenho a corrigir como me convida a fazer. O que eu disse é que sancionámos a nossa adesão quando os portugueses são chamados a quatro actos eleitorais para o Parlamento Europeu, em Junho de 1989, Junho de 1994, Junho de 1999 e Maio de 2004, porque Portugal aderiu em 1986, tendo assinado todos os tratados: - de Maastricht, Amesterdão e Nice, em 1993,1999 e 2003, respectivamente e a Declaração de Berlim em 2007. Assinou ainda o Tratado Constitucional, esse referendado em França e Holanda onde foi vencedor o NÃO e, em Dezembro passado, o Tratado de Lisboa, já referendado na Irlanda e recusado, gerando um impasse no seio da Comunidade. E fique sabendo que sou favorável ao referendo em Portugal.
E deixo-lhe aqui só mais um memorando: - Em 1993, entrou em vigor em todos os países membros do Mercado Único, incluindo Portugal, claro, a livre circulação das mercadorias, dos serviços, das pessoas e dos capitais.Deve inferir-se por tudo isto que estamos na CE para o bem ou para o mal, mas estamos. Quando o povo vota para o Parlamento Europeu, elege, escolhe, aceita, concorda….
Quando beneficiamos da prerrogativa da liberdade de circulação de pessoas e bens, não temos de pensar que essa mesma liberdade é para nosso uso exclusivo. É para todos, com todos os riscos que isso possa comportar e cabe aos governos e à própria CE, criar e articular as normas que por ventura se mostrem necessárias ao seu bom funcionamento. O que não devemos nós, os cidadãos comuns, é andar a semear ódios rácicos, porque Arianos não existem e essa triste ilusão do apuramento da raça morreu, para bem da humanidade, com o fim de Hitler e do III Reich.
A revolução que urge fazer é a das mentalidades e, enquanto tal não acontecer, mentalize-se meu amigo, não sairemos disto.
Estarei sempre ao seu dispor e, entretanto, aceite os meus cumprimentos

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Fernando Nobre, Presidente da AMI - Um homem nobre!

Por considerar que se reveste de bastante interesse a entrevista concedida pelo Dr. Fernando Nobre, presidente da AMI-Assistência Médica Internacional, à "Noticias Magazine", no dia 21 deste mês, entendi publicar alguns enxertos que merecem o devido destaque.


CITAÇÕES

«Pessoalmente, acredito que todos nascemos com alguns pressupostos e, depois, ao longo da vida, vamos sendo marcados por um caminhar que fazemos».

«Somos todos fruto do acaso mas também determinamos o nosso destino».

«Há coisas que já percebi e outras não. Há uma essencial - o ser humano anda à procura de alguém a quem amar. de ter uma vida digna, ver os filhos crescer com saúde e viver em paz. Depois há uma pequena minoria que anda neste mundo em busca de poder e que, em nome disso, está disposta a tudo. Quanto a mim», são mecanismos cerebrais desviados».

«Entrámos no século XXI, mas lemos A República, de Platão, e percebemos que, em dois mil anos, o que aprendemos foi nada. Sem dúvida que vivemos melhor do que Luís XIV mas, em termos de inteligência, os espíritos luminosos da humanidade não conseguiram frutificar o seu exemplo».

«Penso que no nosso país temos demasiada cátedra - em Bruxelas eu era "apenas" o Sr. Nobre [...] A única vez em que fomos um país interventivo no panorama internacional foi sob a liderança de um homem extraordinário: o rei D. João II, que morreu aos quarenta anos, mas foi o nosso grande estadista. Depois dele (morreu em 1495) passámos a viver em regime de masturbação mental».

«A AMI recebe por ano cerca de 750 pedidos de intervenção. Actualmente temos projectos em 23 países, mas o nosso historial já conta com 56, oito com equipas médicas nossas, os outros em parcerias com ONG locais. Eles conhecem melhor do que ninguém as duas necessidades - estão implantados, têm os recursos humanos e muitas vezes falta-lhes a capacidade financeira. [....] Os nossos principais problemas são, de facto, os recursos humanos. Há uns anos mandámos cartas para os médicos de todo o país, recorrendo ao arquivo da ordem. Responderam-nos trezentos, num universo de cerca de trinta mil. A esses mandámos um folheto com informações mais detalhadas. Responderam-nos mais ou menos sessenta. Salvo em momentos quentíssimos (por exemplo, Setembro de 1999, quando toda a gente queria ir para Timor), depois passa o fogacho»

«Não sei se não vou acabar a minha vida a comer um prato de sopa. Penso muitas vezes nesse grande homem que foi Aristides de Sousa Mendes (cônsul de Portugal em Bordéus, à data da invasão da França, pelas tropas alemãs, na Primavera de 1940). Para defender os judeus na Segunda Guerra Mundial, morreu pobre e abandonado, a queimar móveis para se defender do frio. [....] Também já vi na ex-Jugoslávia cirurgiões cardíacos a viverem na rua. Se isso acontecer, espero encontrar um centro como o da AMI».

«Acho que tenho capacidade para ajudar alguém. Uma das minhas maiores preocupações é ir a um dos centros da AMI que já estão a trabalhar no nosso país a fornecer mais de mil almoços por dia. Mas há momentos em que penso que podia estar a tirar próstatas e rins, a ganhar umas massas e ir de férias. Não tenho nenhum cartão partidário nem quero ter [...] Nos hospitais em Bruxelas cheguei a fazer muitos bancos seguidos, de tal maneira que a minha primeira mulher levava ao hospital os meus filhos (ele com dois anos e ela com meses) para que eu os visse».

«Já tive vontade de responder à violência. Digo muitas vezes que isto só se resolve com metralhadora e confesso que tenho uma certa admiração pelo meu colega de profissão, Che Guevara. Nunca matei - espero nunca matar - , mas talvez fosse capaz disso se estivessem em causa coisas essenciais como a liberdade ou a segurança daqueles que amo. Quando vamos ao Chade, país produtor de petróleo com oitenta quilómetros de área, e percebemos que há tanta pobreza, o que podemos sentir? Na Palestina contrói-se um muro que separa famílias. Se para os visitar tivesse de ultrapassar várias barreiras, não sei quantas humilhações, não sei se não pegaria numa metralhadora. Se eu tivesse sido judeu no gueto de Varsóvia, não teria pegado numa arma para me defender?. É morrer ou matar. Os grandes pecados são a indiferença, a intolerância, o egoísmo feroz».

«Para apontar o dedo a um grande sacana que visse na rua, seria precisa imensa coragem porque as redes de poderosos estão muito bem estruturadas. Estamos numa sociedade que, como dizia o meu amigo Sá Machado, se parece com uma sala cheia de fezes em que toda a gente está em bicos de pés para manter a cabeça de fora».

«A ONU tem virtualidades e pontos fracos. As minhas criticas vão no sentido de algumas nomeações, a partir de determinado cargo, serem da responsabilidade de uma única grande potência [...] quando vejo uma casa no Ruanda ser paga a dez mil dólares mensais, quando vejo as mordomias atribuídas aos altos dignitários destas organizações, fico indignado. Há dramas que só foram possíveis porque a ONU não pôde ou não quis actuar [....] nos últimos anos, no Zaire, actual República do Congo, terão morrido cinco a sete milhões de pessoas na indiferença total. As Nações Unidas são o que os Estados querem que ela seja. O FMI é um país com direito de veto e ponto final».

«No Ruanda ou no Zaire houve casos gravíssimos. O que aconteceu ao povo angolano também é um escândalo. Mas não tenhamos dúvidas: para o Ocidente, morrerem dez milhões de negros representa o mesmo do que se morressem dez milhões de moscas».

VALADA - ESPAÇO DE BELEZA E TRADIÇÃO RURAL E PISCATÓRIA

Valada é uma das oito freguesias do Concelho do Cartaxo, sendo também uma das mais antigas. Segundo os historiadores foram os romanos os primeiros agricultores dos campos de Valada, no entanto, é durante o domínio árabe que aparecem os primeiros documentos fazendo referencia aos seus territórios úberos e ricos.

Com uma superficie de 42,3 km2 e tendo uma população apróximada de 1.200 habitantes, esta freguesia é composta pelas povoações de Porto de Muge, Reguengo e Palhota, para além da sede de freguesia que é Valada.

Valada tem como principal riqueza a agricultura, pois nos seus campos cultiva-se tomate, girassol, milho, trigo, melão e vinha. Desde tempos remotos e até hà poucos anos, também a pesca do sável teve um peso importante nesta freguesia.

O ex-libris da Freguesia é o rio Tejo, com o seu espaço envolvente de grande beleza, a sua praia fluvial, fluvina (marina), parque de merendas, etc. o que a torna um lugar de encontro, por excelência, dos forasteiros que a visitam.

Como património, Valada orgulha-se da sua igreja, datada do ano de 1211, no reinado de D. Afonso II. Perdendo parte da sua beleza, após a restauração executada em 1962, tendo como padroeira a Nossa Senhora da Expectação do Ó.

Em Porto de Muge existe a ponte D. Amélia, notavel obra de engenharia, inaugurada em 14 de Janeiro de 1904 por Sua Magestade o Rei D. Carlos. Esta ponte construida para o tráfego ferroviário, foi entretanto remodelada e adaptada para o tráfego rodoviário, fazendo a ligação das duas margens do rio, entre Porto de Muge e Muge.

A Palhota é uma aldeia tipica de pescadores, construida com casas de madeira, tipo palafitas, cuja origem se perde no tempo. Nesta aldeia chegou a viver Alves Redol, o grande escritor português que muito escreveu acerca do Tejo e das suas gentes.

Nas artes e no desporto, destaca-se o ciclista Alfredo Trindade, natural desta localidade, vencedor por duas vezes voltas da Portugal e também os cavaleiros tauromáquicos Dr. Fernando Salgueiro, o seu neto João Salgueiro e seu bisneto João Salgueiro da Costa.

Alguns dos desportos praticados no Tejo são a motonáutica, hoovercraft e canoagem, sendo ainda comum uma consideravel afluência de barcos de recreio que fundeiam ou atracam na sua fluvina, desfrutando desta beleza natural.

O clube local é o Ribatejano Futebol Clube Valadadense, detentor de um magnifico campo relvado e que milita nos campeonatos do INATEL.

Valada é um local de eleição para muitos veraneantes que se deliciam com tudo o que ela lhes tem para oferecer, sendo por isso constantes as romarias. Tem como festas tradicionais ou eventos regulares; a festa anual, a tradicional Quinta-Feira de Ascenção (espiga), o kilómetro de Valada, prova de carros antigos e provas de motonáutica a contar para o campeonato nacional da modalidade.

Destaca-se como sua especialidade gastronómica, o ensopado de enguias e o torricado.

UM LOCAL A VISITAR!