sábado, 13 de setembro de 2008

EMIDIO RANGEL, O PALHAÇO RICO

Tenho lido com alguma atenção “As coisas do Circo”, da autoria de Emídio Rangel e publicadas com regularidade em “O Correio da Manhã”.
Emídio Rangel é jornalista e, como tal, devia observar o princípio deontológico da imparcialidade quando emite, com todo o direito, as suas opiniões. O que não deverá fazer é uma colagem explícita ao partido do governo e ao governo, não lhe tendo lido, nunca, uma única crónica em que apontasse o dedo aos muitos erros já cometidos pelo governo de Sócrates, saindo sempre em sua defesa como se este seja intangível.
Rangel tem todo o direito de ser simpatizante do P.S. e consequentemente deste governo. Pode e deve fazer as críticas que entender aos partidos, aos seus dirigentes e às acções destes. O que não pode (até parece que pode) é tentar manipular a opinião pública, aproveitando-se da sua profissão, sem que tenha a coragem de assumir publicamente as suas simpatias, e vir encapotadamente dar “umas mãozinhas” ao P.S. neste período que se pode considerar desde já, de pré-eleitoral.
Na edição de hoje do referido matutino, Rangel puxou as orelhas à “Tia Manuela” e posso mesmo concordar com ele nalguns passos da sua crónica. O discurso de Manuela Ferreira Leite foi realmente pobre e, estou convencido, não ter ido ao encontro dos que as bases e o eleitorado P.S.D. esperavam. Saliente-se no entanto que este é um problema interno do P.S.D. que se vê confrontado com a sua incapacidade de ser uma oposição credível a Sócrates e, a continuar nesta senda, muito menos poderá alimentar aspirações de ser alternativa nas próximas eleições.
Rangel chega mesmo ao ponto de dizer que Manuela Leite, com as suas declarações, o levou até ao vómito, mas exime de imediato o governo das suas culpas na segurança, da situação caótica da economia, das reformas no ensino, etc., etc., como se este esteja incólume das suas acções e mereça um aplauso geral.
Mais grave, Rangel insinua que «é preciso ter muita “lata” para continuadamente agir assim, deixando nas entrelinhas que a linha politica do P.S.D. tem a aprovação do Presidente da Republica» o que só contribui para empolar tendenciosamente as relações institucionais entre estes dois órgãos, já de si enfraquecidas pelos acontecimentos dos últimos tempos.
Rangel diz, e diz muito bem, que «os portugueses devem, com muito pragmatismo, verificar quem tem propostas, soluções, capacidade de agir, mesmo em períodos turbulentos como o que se está a viver». E a verdade reside em que os portugueses devem ponderar seriamente nas suas vidas que dependem dos seus actos e se o fizerem com toda a consciência, olhando para trás e fazendo um balanço de 34 anos de democracia, facilmente concluirão da falência dos partidos políticos e quem sabe não optarão pelo advento do voto em branco.
Rangel remata mesmo para fora quando falaciosamente afirma: «nenhuma culpa pode ser assacada ao Governo português, que foi apanhado por um “tsunami” que também cortou as pernas a países mais ricos e poderosos como a Espanha, a Grã-Bretanha, A França e a Alemanha» terminando com este desabafo; - «cheque em branco, não obrigado». Mas onde anda a cabeça de Rangel e o que nos pretende dizer com esta comparação acéfala, quando cita países com uma economia musculada, com uma organização politica assente no desenvolvimento social e portanto mais bem preparados para sair desta instabilidade internacional? Passou-lhe ao lado o facto de estarmos na cauda da Europa por culpa das governações desastrosas que temos tido, em que é sempre um “fartar vilania”, tendo sido ultrapassados rapidamente pelos países do leste europeu? Acorde e veja se consegue ver este país como o vêem a maioria; - os que sofrem e que talvez tenham algo em comum consigo: CHEQUE EM BRANCO, NÃO OBRIGADO!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

ORA AGORA FALAS TU, ORA AGORA FALO EU (2)

O QUE SE DISSE FOI QUE O Tróia Resort da Sonae Turismo, dos 78 apartamentos da marina e dos 211 da linha da praia, 70% já foram vendidos, cujos preços oscilam entre os 258 e os 840 mil euros. Destes, apenas 20% foram vendidos a estrangeiros residentes na Alemanha, Reino Unido e Espanha.


O QUE EU PENSO É QUE Portugal tem um grande potencial no sector do turismo, parecendo até que o sol é das poucas coisas que temos para vender, apesar de sempre o termos vendido tão mal; - refiro-me à falta de um aproveitamento sustentado dessa benesse e á anarquia que sempre se tem verificado no sector com o beneplácito do Ministério do Ambiente, de outros ministérios aos quais compete regulamentar e das autarquias que licenciam, concedendo facilitismos que tão bem conhecemos, todos eles fechando os olhos ás situações mais aberrantes em termos ambientais e dos seus impactes.
Belmiro de Azevedo investiu ali 230 milhões de euros e não é esta questão que me trás a fazer esta abordagem, até porque as expectativas, segundos os promotores, é a criação de 5.000 postos de trabalho directos e 10.000 indirectos, o que me parece ser excelente para a região.
Há, no entanto, algo que não pude deixar de registar e consequentemente ironizar: Portugal está mal? – Está, ninguém duvida! Só que, curiosamente, não está mal para todos e a prová-lo está que a aquisição de 50% das vendas já efectuadas foi feita por portugueses. Mas que portugueses? Claro, só pode ser os de 1ª, porque muitos dos outros o dinheiro não lhes chega nem para pagar a prestação do crédito à habitação.






O QUE SE DISSE FOI QUE Um recluso evadiu-se da cadeia de Pinheiro da Cruz, onde cumpria pena por furto qualificado. No passado sábado a GNR alertada, deteve o evadido, depois deste se ter despistado com um carro roubado. Presente ao Tribunal de Lagos por aquela força policial, o Juiz determinou a sua libertação por, após a sua evasão de Pinheiro da Cruz, não ter sido ainda emitido o respectivo mandado de captura.


O QUE EU PENSO É QUE Esta situação tem tanto de insólito que quase seria capaz de não acreditar na sua autenticidade. Mas acredito!
Como é possível, detectada a fuga daquele estabelecimento prisional, não serem accionados todos os mecanismos para a sua detenção, tendo ainda por cima, pasme-se, sido esquecida a emissão do necessário mandado de captura. Mas a minha estupefacção não se fica por aqui e pergunto com a maior ingenuidade; - estando o recluso perante o Juiz e sabendo este da situação, não tem poderes que lhe permitam manter a detenção até à passagem do mandado, que presumo só pode ser passado por um juiz?
Nesta situação já estou a ver o "libertado" com todas as calmas deste mundo a sair do Tribunal e a roubar o primeiro carro que encontrou, enquanto os agentes dentro da viatura que regressava ao posto, se limitaram a assobiar para o lado e encolher os ombros depois da frustração que acabavam de sentir.
E depois que nos venha o Ministro da Justiça falar de segurança. Qual segurança?

domingo, 7 de setembro de 2008

ORA AGORA FALAS TU, ORA AGORA FALO EU.

O QUE SE DISSE FOI QUE O Governo de Luanda não forneceu vistos de entrada para cobertura do acto eleitoral que teve lugar ontem, dia 5, naquele país, aos jornalistas de cinco órgãos de comunicação social portugueses: - SIC, O Expresso, O Publico, Rádio Renascença e Visão.
Entretanto, o primeiro-ministro, havia considerado, em Bruxelas, que a haver problemas com a emissão de vistos a jornalistas portugueses seriam apenas decorrentes de atraso. «Esperemos que seja apenas isso» referiu, acrescentando ser «muito exagerado fazer-se um julgamento que vai no sentido do bloqueio». O primeiro-ministro considerou ainda ser « muito importante para Angola que haja uma ampla cobertura jornalística do escrutínio de sexta-feira»…..


E O QUE EU PENSO É QUE Nada do que se possa dizer sobre isto vem acrescentar o que quer que seja aquilo que sabemos ser a prática dos regimes totalitários, ainda que tentem vestir uma roupagem democrática. Curioso, curioso, é que José Sócrates afirme ser tudo um exagero dos media, mas outra coisa não se podia esperar de quem, numa visita de 24 horas a Luanda, brindou o governo de José Eduardo dos Santos com este mimo. «Quero que o governo de Angola, saiba que […] temos confiança no governo angolano e no trabalho que tem desenvolvido». Está tudo dito!




O QUE SE DISSE FOI QUE A Candidata republicana à vice-presidência dos Estados Unidos, diz que a guerra do Iraque é missão de Deus (Tv. Net). Mais uma polémica em redor de Sarah Palin, a governadora do Alasca que John MacCaine escolheu para concorrer à vice-presidência. A governadora defendeu em Junho, num discurso, que a guerra do Iraque é uma missão de Deus. Palin defende ainda o regresso do ensino da teoria do criacionismo nas escolas, num polémico discurso a ainda governadora diz também que a construção de um gasoduto no Alasca é a VONTADE DE DEUS.


E O QUE EU PENSO QUE É por estas e por muitas outras coisas semelhantes que sou agnóstico. Se Sarah Palin se convenceu e pretende convencer-nos de que a guerra do Iraque é uma missão de Deus, então é porque acredita que George Bush é Deus. Só resta saber se não terá agora John MacCaine por Jesus Cristo e ela própria se convença que é Maria Madalena.
Ainda sobre esta “missão” esqueceu-se de referir as figuras, já agora bíblicas, de Blair, Aznar e Barroso, que estiveram com Ele nos Açores aquando da ultima “CENA” d.C. e que antecedeu a invasão do Iraque.
Sinceramente que esta religião não me convence!




O QUE SE DISSE FOI QUE Paulo Pedroso ganhou a acção cível que interpôs contra o Estado, tendo este sido condenado ao pagamento de uma indemnização por prisão ilegal, aplicada ao ex-ministro. Sócrates mostrou-se satisfeito com a decisão judicial a favor de Paulo Pedroso e lembra que «viveu intensamente este processo», tendo recusado qualificar o seu «estado de espírito».
Tendo o Ministério Publico recorrido da sentença, Pedroso diz que este utilizou «pequenos truques» e acrescenta «não estar surpreendido com a decisão do recurso».

O QUE EU PENSO É QUE A primeira conclusão que tiro é que 100.000 euros (e já não falo dos 600.000 pedidos) corresponde a (+ -) 20 anos do valor do ordenado mínimo presente. Não deve ser nada agradável estar preso mas que estar detido seis meses dava jeito a muitos portugueses para porem a vida em dia, disso não tenho duvidas e estou convencidos que voluntários não faltariam.
Mas este assunto vem na sequência do famigerado caso “Casa Pia”, que já fez correr muita tinta mas parece que ainda não a suficiente, para o esclarecimento total da verdade. E de Paulo Pedroso subsistirá sempre a duvida uma vez que não foi pronunciado.
Se eu acreditasse minimamente que o resultado final do julgamento do caso “Casa Pia”. Cujas alegações finais estão para breve, aproximando-o do fim, fosse a efectiva condenação dos arguidos. Se eu acreditar que Pedroso é “inocente” só porque ganhou, até ver, esta causa. Se eu acreditar nisto, será fácil acreditar em qualquer coisa. Mas há uma coisa em que realmente acredito e tenho-o afirmado desde o inicio deste triste e dramático caso; - quem tem levado com todo o odioso tem sido o Carlos Silvino, que deverá obviamente responder e pagar por todos os delitos cometidos e estamos cá para ver o que vai acontecer aos restantes, porque o que me preocupa substancialmente é que este caso não acabe com as vitimas serem presas, não tendo estes naturalmente condições para interpor acções para tentar receber indemnizações, nem que seja só de 1 euro, para salvar a sua honra.

NOTA:
….”Ora agora falas tu, ora agora falo eu” passará a ser uma rubrica de periodicidade regular e publicada a qualquer momento.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

ELEIÇÕES EM ANGOLA. SERÁ QUE ALGUMA COISA VAI MUDAR?

É já amanhã, dia 5, que terá lugar naquele país eleições legislativas, as primeiras em 15 anos, para eleger os deputados à Assembleia Nacional, tendo-se verificado durante a campanha abusos dos direitos fundamentais e actos de violência política, perpetrados por apoiantes do partido que detém o poder. A verdade é que se espera, já sem grandes expectativas, pelos resultados das mesmas, sabendo nós de antemão, que mais uma vez, vai imperar a supremacia do M.P.L.A. para mal do povo angolano, que continuará subjugado ao centralismo excessivo e à continuação da corrupção há muito institucionalizada naquele país africano.
Mais não se pode esperar de José Eduardo dos Santos, ainda que este tenha dito, nas suas intervenções da campanha que Angola é de todos os angolanos e que serão afastados do centro do poder todos aqueles que defendem interesses pessoais e particulares. Este tipo de declarações já não convence quase ninguém, mas terá inevitavelmente o seu efeito perverso numa franja considerável de eleitores que pela sua iliteracia e medo votarão, favorecendo o partido que governa há 33 anos.
Dos Santos é um dos homens mais ricos do mundo e o seu povo um dos mais pobres, ainda que o crescimento do PIB se tenha aproximado dos 20% em 2007.
Como se pode acreditar em Dos Santos quando se sabe como tão bem distribui o poder pelos seus familiares; a sua filha Isabel dos Santos é detentora de uma fortuna considerável …sabe-se que controla uma boa parte de acções da P.T., que é dona da empresa “Urbana 2000” que tem um contrato de leão no valor de 10 milhões de dólares anuais para fazer a limpeza e o saneamento da cidade de Luanda. Detém 25% do B.I.C. – Banco Internacional de Crédito, a empresa de telemóveis “Unitel”, uma empresa de móveis em Portugal, empresas ligadas à exploração de diamantes e à hotelaria, tanto em Angola como em Portugal…De onde surge este portentoso poder económico?
Não se acredita que Dos Santos alguma vez mexa nos enormes privilégios que concede à família, aos seus generais, aos altos quadros do partido e a outros seus apaniguados.
Falta quase tudo em Angola e a vida de luxo na sua capital, uma cidade de altos contrastes sociais, é apanágio de alguns a quem nada falta; lojas de reputadas marcas internacionais, só permitidas a uma elite que tem um elevado poder de compra; restaurantes e discotecas de elevado luxo e carros de ultima geração. Em contrapartida, num universo de 16 milhões de habitantes, 68% da população vive abaixo do limiar da pobreza, sendo 2 dólares por dia o que ganham mais de dois terços da população, atingindo o desemprego uma taxa de 40%; os bairros degradados são autênticas colmeias e a esperança media de vida está nos 42 anos e a mortalidade infantil é das piores do Mundo, morrendo antes dos cincos anos cerca de um quarto das crianças. E é preciso lembrar que Angola é presentemente o maior produtor de petróleo em África.
Luanda tem crescido e vai continuar a crescer como um importante centro de negócios, empurrando os pobres para a periferia, com o fito da construção de condomínios privados.
Só me pergunto: Onde foram parar os ideais que impulsionaram os povos de Angola à luta armada contra o colonialismo? E que fizeram os governos do M.P.L.A., no poder há 33 anos, para emancipar esses mesmos povos, congregando-os numa nação una, proporcionando-lhe condições dignas de vida, económica e social?
Nada se pode esperar de quem andou na mata a combater e chegado ao poder subverte toda a esperança de um povo, tornando-se o seu algoz.
Um destes dias saberemos quem vai governar e daqui a mais uns anos veremos quais as reais transformações operadas e se elas beneficiaram os descamisados daquele que pode ser um grande país. Eu, por mim, continuo a não acreditar!